What is heartfulness?

What is heartfulness?

June 17, 2015 Articles 0

Como foi que a rosa

Abriu seu coração

E ofereceu ao mundo

Toda sua beleza?

Ela sentiu-se encorajada pela luz

Sobre seu Ser

De outra forma,

Permanecemos todos

Amedrontados demais

– Hafiz

c.1320 – 1389

Nos últimos anos, o conceito de mindfulness, consciência plena, vem recebendo cada vez mais atenção, tanto no cenário clínico como fora dele, de modo que o uso do termo já se tornou conhecido.[1] Mas o que realmente significa midfulness? Será que inclui sentimentos? Como o estado de ‘mindfulness’ difere do estado de ‘heartfulness’?[2] Que papel têm estas ideias nas diferentes esferas de nossa vida, material, moral, espiritual, e outras?

Como definir ou captar ‘heartfulness’? Uma possível definição é que heartfulness é um estado de ser onde o centro ou lugar de controle é o coração; não o coração físico como a estação que bombeia o sangue, mas o coração ‘espiritual’ como o princípio orientador de nossa vida.[3] Muitas vezes, o intelecto é a força determinante menor em nossas interações pessoais e tomadas de decisão. ‘Consultamos o coração’ quando decidimos assuntos de caráter mais pessoal – inclusive assuntos de natureza mais moral ou espiritual, ao invés da mente.

Uma definição de heartfulness é o conceito de ‘transcendência’ vinda da tradição Hindu. Outra do sânscrito, que refere-se a heartfulness como o som cósmico da Verdade. Outra definição é a de ‘consciência compassiva’. Nos diferentes contextos, uma outra dimensão significativa deste conceito de heartfulness implica estar mais conectado com o Eu ou Eu Superior, e com tudo e todos.[4]

Para o Professor Jon Kabat-Zinn, a diferença entre mindfulness e heartfulness – entre coração e mente – não é tão discrepante como muitas vezes se presume.[5] Além disso, afirma-se que em muitas línguas orientais (incluindo o Sânscrito, o Tibetano e o Chinês), a palavra para coração e mente é, de fato, sinônima.

No Ocidente, existe o conceito predominante de que coração e mente são entidades separadas e, às vezes, conflitantes. A dualidade do coração e da mente remonta ao trabalho do filósofo grego Aristóteles (384 A.C. – 322 A.C.), que identificou o coração e a mente como forças distintas. A mente, ou mais especificamente a razão, era considerada, em última instância, superior à emoção ou ao sentimento (o coração). A ênfase de Aristóteles na razão, na mente e no racionalismo, partiu, em grande parte, dos ensinamentos de seu mentor e mestre Platão, que guardava um certo grau de misticismo, com suas crenças na pré-existência e imortalidade da alma. Esta filosofia do racionalismo influenciou filósofos tão díspares quanto Aquinas e Nietzsche, e moldou o pensamento Ocidental de tal forma, que atualmente o conceito mente ocupa um papel dominante e superior nos discursos.

Dada esta aparente predominância da mente e do intelecto, o que significa ser guiado pelo coração? Estar em estado de heartfulness é também compreendido como ‘ouvir a própria consciência’ ou voz interior. Esta ideia da ‘consciência’ traz à mente a história de Pinocchio, originalmente publicada em italiano por Carlo Collodi em 1883[6], onde a ‘consciência’ aparece na forma de um grilo. A maioria provavelmente está mais familiarizada com o boneco na versão da Disney, um menino feito de madeira, que quando conta mentiras, faz crescer o nariz até o ponto em que ‘a mentira esteja tão evidente como o nariz em seu rosto’; o mesmo menino de madeira é desencaminhado em várias ocasiões e se transforma em um burro. Para se tornar um ‘verdadeiro menino’ (ou humano), ele precisa provar para si mesmo que é valente, que tem coragem, tem de demonstrar amor e sacrifício – por fim, Pinocchio salva seu pai do afogamento, demonstrando, de fato, seu amor através do sacrifício, da abnegação, e do auto-esquecimento. A história de Pinocchio pode ser tomada como uma alegoria ao heartfulness: aquele que ouve o coração, a voz interior, e, que se esquece de si mesmo, torna-se altruísta e essencialmente humano.

Muitas disciplinas, incluindo a filosofia e a psicologia, compartilham o interesse na questão do que é que nos torna humanos: Será a capacidade de pensar que nos torna humanos?[7] Ou a nossa capacidade de amar, de ter esperança e fé? Ou a possibilidade de sentirmos compaixão pelos outros seres? Ou a aparente necessidade interior de esforçar-se para crescer e aspirar a algo mais além? As respostas a estas questões têm sido objeto de reflexão de pesquisadores, filósofos e buscadores desde os tempos remotos.

É isto que para mim significa Heartfulness, não a história de Pinocchio, e sim através da meditação, cultivar meu coração através da quietude e do silêncio interior, tornando-me mais humano, mais verdadeiro para comigo mesmo, abrindo o coração, sendo mais amoroso, mais compassivo, gentil comigo e com todos os outros seres humanos. Então, conforme sugere o poema de Hafiz, heartfulness poderia significar abrir nossos corações para esta possibilidade. O que seu coração lhe contará hoje? Ouça e veja o que acontece.


[1] The following two definitions of ‘mindfulness’ are provided by Oxford Dictionaries:

  1. The quality or state of being conscious or aware of something …
  2. A mental state achieved by focusing one’s awareness on the present moment, while calmly acknowledging and accepting one’s feelings, thoughts, and bodily sensations, used as a therapeutic technique.

Available at:
http://www.oxforddictionaries.com/definition/english/mindfulness (last visited 10 February 2015).

[2] For discussion of these concepts and their relationship to one another see: Alane Daugherty, From Mindfulness to Heartfulness (Balboa Press, 2014).

[3] An energetic or vibrational field. For example, see some of the research by http://www.heartmath.org/

[4] Source: Meditation, Mindfulness, Psyche and Soma: Eastern, Western Perspectives – R Singla, D Jordanov, M Autrup – 26th EFPSA Congress – forskningsbasen.deff.dk

[5] Jon Kabat-Zinn, Mindfulness for beginners: Reclaiming the present moment–and your life (2011); see also: Thich Nhat Hanh ‘The Miracle of Mindfulness, (2008 Ed.)

[6] The original story ‘The Adventures of Pinocchio’ in Italian is a darker tale of morality, almost brutal to contemporary eyes. However, in the original tale the fairy transforms him into a ‘real boy’ “To reward you for your good heart … Boys who minister tenderly to their parents, and assist them in their misery and infirmities, are deserving of great praise and affection, even if they cannot be cited as examples of obedience and good behavior. Try and do better in the future and you will be happy.” There is a delightful article on Pinocchio and lying in the New Yorker. http://www.newyorker.com/books/page-turner/original-pinocchio-really-says-lying

[7] René Descartes, (1596 – 1650) a French Philosopher who is most well known for the statement – ‘Je pense, donc je suis’ trans. ‘I think, therefore I am’. He laid the foundation for continental rationalism in the 17th century and also famous for his philosophy of dualism and his influence on the discipline of psychology.

 

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